*Clairto Martin
Um amigo, indignado com alguns acontecimentos recentes, fez esta pergunta em email que enviou a mim e a outros. Traduzo algumas de suas observações, pertinentes a semana passada.
“(Que mundo estranho esse, tempo de caça às bruxas, fundamentalismo, falta de respeito, estamos entregues às feras ou somos as próprias feras....
Universidade expulsa aluna porque usa vestido curto. Como disse uma psiquiatra, “colocaram a burka na mulher para que os alunos orangotangos continuassem soltos”. Ridículo, porque é a mesma juventude que não participa de movimentos contra os políticos que achincalham o Congresso Nacional com seus roubos e corrupções, mas participa de um ato de intolerância como esse porque uma menina resolveu usar um vestido curto, atentando contra a “moral e os bons costumes”.
Presidente de time de futebol paulista (Palmeiras), do alto da influência de seu cargo, sugeriu que enchessem de porrada o árbitro, e quando questionado sobre incitação da torcida à violência, em vez de solicitar que evitassem os confrontos, disse “esperar que o torcedor decida de acordo com sua consciência e com as circunstâncias”.
Traficantes de Santa Cruz do Sul participam de reunião de moradores da cidade para comunicar que a partir do dia 10 próximo, quem vender crack (não sendo do bando) será punido exemplarmente, porque o excesso de roubos e violência chama a atenção da polícia para a boca de fumo.
Mais uma mãe esquece uma filha no banco de um carro fechado no estacionamento da empresa onde trabalha, matando a criança, por puro “esquecimento”.
Técnica em enfermagem utiliza sedativos em crianças para poder se sobressair no trabalho, sendo a primeira a “constatar o problema e a tomar providências”.
Criança morre com dois tiros dentro do carro do avô porque este se envolve numa discussão no trânsito e o motorista do outro carro resolve as coisas literalmente “à bala”).
Pra que lado a gente vai? Para o futuro, sempre. O futuro dos holocaustos silenciosos na China, na África, no Iraque, no Afeganistão, iguais aos dos nazistas, só que contados pelos vencedores.
Que mundo é esse? É o mundo imbecilizado, de um povo inculto e apressado, que faz da fugacidade a essência da vida, sem tempo para qualquer coisa mais substancial. Falta tempo para ouvir as pessoas, falta inteligência, falta capacidade de raciocínio; sobra televisão, sobra internet, sobra funk e música medíocre, sobra gente que não vai a lugar algum por completa falta de cultura, e por fim, falta Deus e sobra o lado homem.