Alunos dos cursos de Ciência da Computação, Licenciatura em Computação e Sistemas de Informação da UNIJUÍ – Campus Santa Rosa, orientados pelos professores Sandro Sawicki e Gerson Battisti, darão aulas de computação inicialmente para 25 apenados do Presídio Estadual de Santo Cristo, a partir deste mês. O projeto, desenvolvido pela Universidade, tem como objetivo a inclusão digital, social e formação profissional.
Uma sala gradeada e com câmeras de segurança no Presídio Estadual de Santo Cristo recebeu na semana passada oito computadores e foi transformada em um Laboratório de Estudos. É neste local que apenados terão aulas de computação com 10 acadêmicos da Unijuí. As atividades observam o projeto “Tecendo Redes de Inclusão Digital: reeducandos em formação”.
A ideia da atividade surgiu através de uma experiência conhecida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) voltada a crianças carentes. Sawicki ressaltou que a legislação brasileira não prevê prisão perpétua e nem pena de morte, assim mais cedo ou mais tarde o apenado será incluído novamente no seio da sociedade. “Ao contrário das crianças, os apenados já tem definido o seu carater e conduta, é desafio ainda maior para o projeto”.
Os acadêmicos elaboraram as apostilas e estruturaram os conteúdos em três módulos: básico, intermediário e avançado. Serão 90 horas de aulas que ocorrerão aos sábados, nos turnos da manhã e tarde. O curso terá a duração de três meses. São 25 apenados que participarão da atividade, e serão divididos em três grupos. Portanto, em nove meses a primeira edição do projeto deve estar finalizada. Para as aulas será usado um software livre, sistema operacional Linux.
As aulas serão ministradas pelos acadêmicos em duplas: um irá ministrar as aulas teóricas enquanto o segundo atuará como monitor durante as aulas. Estão envolvidos nas atividades sete alunos do curso. O professor Sandro Sawicki revela que, no início houve certa surpresa por parte dos alunos, por não conhecerem o perfil dos apenados e por não entenderem ao certo o objetivo do projeto: “mas agora eles sabem os benefícios que a atividade trará para os apenados e para eles mesmo, como experiência social e profissional”. O professor revela que já tem uma fila de espera, de alunos que pretendem auxiliar no projeto.
O professor destaca que o trabalho influenciará ainda na auto-estima dos apenados: “eles são naturalmente excluídos pela sociedade, e este trabalho é um forma de serem lembrados”. O projeto torna-se uma ação social voltada a uma área especifica do conhecimento, de domínio dos professores.
A Juíza de Direito da Comarca, Bianca Prediger Sawicki, diz que a iniciativa busca oportunizar a efetiva ressocialização do apenado por meio do cumprimento rápido e digno da pena, possibilitando formação profissional e reinserção na comunidade, já que os apenados receberão diploma de conclusão do curso fornecido pela Universidade.
Uma cerimônia realizada na semana passada marcou a inauguração do espaço, e contou com a presença dos professores da Unijuí, da Juíza de Direito da Comarca de Santo Cristo, do Defensor Público, Jucelito André Villetti, a Promotora de Justiça Melissa Marchi Juchen, e Presidente do Conselho da Comunidade, Renato de Wallau entre outras autoridades.
Os computadores foram doados pelas Lojas Quero-Quero e pela Polícia Civil de Santa Rosa, e a sala do laboratório foi reformada com verba do Conselho da Comunidade – entidade que destina os recursos oriundos de pagamento de penas alternativas - instalado em 2007 na Comarca. A empresa Assisnet Computadores realizou a manutenção dos equipamentos.
O projeto ainda conta com o apoio do Poder Judiciário, Ministério Público, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Defensoria Pública, prefeituras que compõem a Comarca Santo Cristo - que envolve ainda as cidades de Alecrim, Porto Lucena e Porto Vera Cruz - e Conselho da Comunidade, de Santo Cristo.
Os acadêmicos irão trabalhar com apenados com baixo grau de escolaridade, pois a grande maioria cursou apenas até a 4ª série do Ensino Fundamental. A faixa etária é de 21 a 34 anos. A intenção é que o projeto seja retomado a cada ano. Os professores buscarão verbas através de projetos, que devem ser encaminhados ao Governo Federal, na área da inclusão social. O Presídio Estadual de Santa Cristo possui hoje cerca de 60 apenados.