O nome de Joseph Mengele ainda causa arrepios em qualquer lugar. O Anjo da Morte como o qualificam os pesquisadores do Nazismo, fugiu da Alemanha após a guerra e radicou-se na Argentina, com deslocamentos entre os países do Mercosul, incluindo o Brasil, país onde veio a falecer no final dos anos sessentas. Isso é fato certo, esmiuçado por inúmeros investigadores, incluindo o renomado escritor argentino Jorge Camarasa e a dupla Anencir Flores e Jacinto Zabolotski (Cândido Godói e Campina das Missões).
Há alguns dias, eu, o Anderson Farias e o Juca Fortes fizemos um roteiro regional na companhia de Lisete Friske (historiadora) percorrendo a trilha desse médico que teria auxiliado a eliminar milhares de judeus durante a Segunda Grande Guerra, principalmente através de experimentos genéticos. Por isso, há quem o relacione à multiplicação dos gêmeos na Linha São Pedro, interior de Cândido Godói, onde sabidamente ele passou. É certo que Mengele jamais abandonou suas crenças e pesquisas voltadas a multiplicar a raça ariana, e teria auxiliado a fazer inseminações em animais no interior de Godói.
Nesta semana a revista Carta Capital publicou quatro páginas sobre o assunto Mengele e os gêmeos de Cândido Godói. Especula em torno do assunto outra vez, como tantos outros. A matéria mostra que a cidade está aprendendo a fazer uso deste passado através do turismo.
Mas voltando ao roteiro que fizemos... Fomos conhecer uma casa onde Mengele pode ter vivido parte de seus dias, isso aqui no Brasil. Um local apropriado e seguro, fortificado, onde pode ter permanecido durante as andanças, com espaço para continuar suas pesquisas. Por que o Brasil, e aqui? A explicação para isso é simples: com a prisão de Eichmann (na Argentina) e sua condenação à morte em Israel, os nazistas fugitivos assustaram-se, daí procuraram novos ares. Seria muito fácil, como foi realmente, a um alemão disfarçar-se entre descendentes de alemães, principalmente em comunidades fechadas como as do nosso interior. Eu não tenho dúvidas do que vi e ouvi. Ora, tanto é fato que emissoras de TV dos EUA e da Inglaterra, entre outras, estiveram percorrendo a região dos gêmeos, talvez no mesmo encalço, e isso recentemente.
Além de Cerro Largo, São Pedro do Butiá e Godói, Mengele esteve no interior de Santo Cristo, conforme relato feito ao pesquisador Anencir Flores e publicado em seu livro Meus dois corpos. Daí, não é difícil concluir que esteve também em Santa Rosa nesta peregrinação regional, afinal, a presença de descendentes germânicos aqui também é acentuada. Quando teria sido isso? Na primeira metade da década de 60. Ele apresentava-se como um viajante que, curiosamente, entre outros afazeres, coletava amostras de sangue. Rudolf Weiss era seu nome fictício, o que nem é tão mentira assim, já que o segundo nome de Mengele era Rudolf. Aqui, bem perto da Praça da Bandeira o famoso médico de Hitler conversou horas a fio com pessoas de nossa cidade e certamente pernoitou na casa de um amigo, na mesma avenida, antes de seguir viagem.
Não souberam identificá-lo como Menguele na época, isso porque a comunicação era difícil, e passar incógnito aqui não foi difícil. Anos depois, vendo fotos na TV e jornais, afirmaram com veência: “esse é o Rudofh, eu falei com ele”. O que veio fazer? Pesquisar, conhecer, continuar sua caminhada de estudos até encontrar um lugar seguro para viver, sempre contando com o auxílio de eternos simpatizantes do nazismo ou da raça pura ariana. Ele esteve aqui em Santa Rosa, sim.
O que ganho publicando essa crônica? Espero que pessoas ligadas aos episódios citados tragam mais subsídios ao que já sei e ao que levantei nessa andança. Mengele é um fato da nossa história, que em nada nos envergonha, mas pode atrair alguns olhares curiosos a Santa Rosa e quem sabe render observações futuras.