Aparentemente, poderíamos afirmar que a SER Cisne está bem e que a SER Concórdia vai muito mal. Isso não é verdade. Tanto que dirigentes da SER Cisne admitiram publicamente esta semana que a arrecadação oriunda do quadro social não paga as despesas de manutenção de sua estrutura. Se pressupunha que a situação fosse diferente, porque com a desativação temporária do Concórdia a tendência é de que a maioria de seus sócios migrariam para a SER Cisne.
Os números provam uma situação muito mais grave do que uma visão aparente possa mostrar. No campo das hipóteses, se tivéssemos uma única grande sociedade em Santa Rosa, a sensação é de que ela estaria financeiramente bem. Saímos das hipóteses e vamos à prática: hoje temos realmente apenas uma grande sociedade funcionando e arrecadando anuidades, que é a SER Cisne. Como ela está financeiramente? Tem dívidas sob controle, mas se o quadro de associados reduzir fatalmente conviverá com uma grave crise.
O que temos pela frente é um processo de reação na SER Concórdia, que tem planos para reavivar seu quadro social. É claro que muitos dos que virão serão oriundos da Ser Cisne. Estará estabelecida uma competição onde não haverá vencedores. Teremos duas sociedades fragilizadas e as consequências são inimagináveis, mas sem descartar prejuízos irreversíveis para ambas.
Quem concordar com essa linha de raciocínio também concordará que SER Cisne e Ser Concórdia, nos tempos atuais, onde impera o individualismo e no máximo a tribalização de pessoas, devem empreender o máximo de esforço para garantir que uma grande sociedade seja consolidada em Santa Rosa. É preciso que associados e dirigentes dos dois clubes deixem de lado qualquer sentimentalismo e encarem essa realidade.
Em resumo, defendemos a fusão das duas sociedades, mesmo admitindo que num recente passado alternativas levantadas parecessem nos convencer de que a SER Concórdia, através de uma negociação com a FEMA ou com a Prefeitura, pudesse dar tempo ao tempo até ser retomada com força. As duas negociações fracassaram. Só resta a fusão. As duas, competindo entre si, disputando a mesma clientela (o associado arredio), não alcançarão êxito. Prova em contrário estaríamos vendo a SER Cisne, que atua sozinha nesse mercado - se é que podemos usar a expressão ‘mercado’ -, esbanjando uma saúde financeira que inexiste.
Pensemos nisso, sem paixão, com toda a racionalidade possível.