As escolas particulares de Santa Rosa, enfim, estão dando a volta por cima. Depois do fechamento do São João e do Dr. João Dahne, e das sérias dificuldades pelas quais passaram especialmente o Concórdia, a FEMA e o Da Paz, a comunidade perguntava-se qual seria a próxima vítima da situação de penúria vivida na economia local. E não era uma realidade apenas santa-rosense. Em Tuparendi, o Sinodal Vera Cruz também se ressentiu. Em Horizontina, o tradicional Frederico Jorge Logemann perdeu centenas de alunos com a transferência da unidade administrativa da John Deere para Porto Alegre. O quadro certamente não foi muito diferente em outros municípios próximos.
A boa notícia é que aos poucos, pelo menos em Santa Rosa, o cenário se altera. O ano começou animador, isso sem levar em conta eventuais danos causados pela estiagem. São mais alunos no Dom Bosco, na FEMA, no Concórdia, no Da Paz, no Liminha, no SEG (Cipel), e assim por diante. Em todas as áreas há mais demanda, mas especialmente na Educação Infantil e nos cursos técnicos e superiores. As pessoas voltaram a investir em si e nos filhos. Esta é a boa notícia.
As escolas fizeram mudanças, é evidente, reduziram custos, ofertaram bolsas de estudos, voltaram a investir forte na educação infantil e em áreas técnicas, etc. Mas o fator principal para atrair alunos independe das novidades implantadas, pois o elo desta corrente passa exatamente pela economia fortalecida. Foram as altas de produção na AGCO (e terceiros), no Alibem, na Camera e em setores ligados à agroindústria que mexeram novamente com as cadeias do serviços e comércio, elevando os ganhos e a capacidade de investimentos. E não é novidade para ninguém que em tempos de crise, corta-se onde é possível, e a educação privada entra na lista. É uma análise simplista, sem finalidade de aprofundamento acadêmico, mas é fácil perceber esta relação entre economia regional em alta e vagas ocupadas nas escolas particulares.
O melhor desta notícia não está apenas na sobrevivência e manutenção das escolas e postos de trabalho. O melhor está na qualidade de ensino ofertada, que está no topo da lista e que terá reflexos positivos mais tarde. Prova desta qualidade é o destaque ao Dom Bosco nas avaliações do ENEM. As outras escolas também estão acima das médias nacional e estadual. Qualidade de ensino significa mais pensamento, mais pesquisa e perspectiva de futuro. É o que a nossa região precisa: investir forte no casamento entre produto gerado pelo ensino (téncino e acadêmico) e os setores econômicos. É não esperar a chuva. É semear para colher.
Por Clairto Martin