Quem fala por elas?

Quem fala por elas?

Hoje para a imprensa o Dia Internacional da Mulher é um grande desafio. É dia de sair às ruas em busca de histórias de lutas diárias. É dia de dar voz às esquecidas, as abandonas e as invisíveis pela sociedade.

É dia de ouvir empresárias, advogadas, juízas, promotoras, médicas... Mas também é dia de ouvir donas de casa, garis, faxineiras, professoras, escritoras, trabalhadoras rurais... É dia de dar a voz para quem não fala. É a data para olhar para o lado e refletir. É sim a oportunidade de falarmos da violência contra a mulher que insiste em aumentar os índices a cada minuto. É dia de ouvirmos a “Mulher Maravilha da vila”, que além do machismo, sofre preconceito social e econômico. É dia para falar da mulher negra, que ainda têm dificuldades de se colocar em uma vaga de trabalho sonhada, de frequentar grupos de amigas empreendedoras, de estar onde as “madames estão”.

É dia de conversar com quem, apesar de muita dificuldade criou e cria seus filhos, muitas vezes sozinhas desde a gestação. É dia de ouvir aquelas que cuidam dos filhos das outras, enquanto as privilegiadas viajam pelo mundo.

É dia de falar sobre violência, assédio sexual, de invasão íntima e estupro. É dia de defender a liberdade sexual feminina. É dia de ouvir as mulheres que nasceram no corpo de homem, que sofreram, sofrem, mas não desistem do gênero que são. É dia de conversar com trans, com lésbicas e mulheres masculinas. É dia de deixar a cor da unha e do batom de lado. É dia de ouvir!

Mas também é dia de falar das privilegiadas, das madames, das dondocas. Elas também são mulheres, e têm também uma luta diária.

É dia de lembrar que elas têm o terceiro turno ao chegar do trabalho. É dia de dividir, de aceitar que as tarefas domésticas precisam ser divididas, e que a educação dos filhos também. É dia de aceitar e entender que elas podem ter filhos, se elas quiserem. Elas podem não querer. Elas podem, e sabem por qual motivo elas podem? Porque elas são mulheres!

Todo dia é dia. É hora de colocarmos na cabeça e agradecermos e abraçarmos as esquecidas. Ao sair na rua, olhe para o lado, converse com as esquecidas.