O homem da Independência

O nome completo de D. Pedro I tinha 18 palavras, entre nomes e sobrenomes. Acho que nem mesmo ele sabia soletrar seu nome completo. Coisas da Corte portuguesa da época. Ele veio para o Brasil com nove anos de idade. Morreu em Portugal com apenas 36 anos, de tuberculose. 

Mas a personalidade de Pedro, muito mais que os conflitos políticos que enfrentou, é o que chama atenção até os dias de hoje. O cara era hiperativo e sofria crises de epilepsia. Tinha interesse e curiosidade em tudo. Aprendeu diversas línguas, entendia de navegação, de criação de cavalos e de composição musical entre outras coisas. Gostava de sair pelas ruas, disfarçado, e frequentar os botecos da época à procura de namoradas. Assim, além de conquistar inúmeras mulheres, aprendeu a conhecer o povo brasileiro.

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Conversa no boteco, em 1822:
— Ei, garçom! Aquele cara que acabou de entrar não é o Dom Pedro?
— Ele diz que é, mas eu não acredito. Tem aparecido cada doido por aqui! Ainda ontem apareceu um dizendo que era o Napoleão!...

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A vida de D. Pedro I foi mesmo muito tumultuada. Casou com Maria Leopoldina, uma mulher culta e bonita (segundo os historiadores). Mas Pedro logo tratou de traí-la. Tornou-se público seu relacionamento com a Marques de Santos e com uma irmã desta. Maria Leopoldina, a esposa, acabou morrendo de um aborto, justo no momento em que Pedro se encontrava no Rio Grande do Sul, às voltas com a guerra contra a Argentina pela disputa da região que hoje é o Uruguai. 

Na época, correu mundo a informação de que a morte de Leopoldina tinha sido causada pelos maus tratos do marido. Essa reputação de Pedro fez com que princesas de diversos países se recusassem a casar com o imperador brasileiro. O segundo casamento aconteceu mais tarde, com Amélia de Leuchtenberg, filha de um duque e general italiano. Só então é que Pedro tornou-se um homem mais calmo e dedicado à família.

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A crônica da semana passada, em que falamos das ONGs, teve ótima repercussão. E prometi citar, além das já citadas, outras duas entidades de Santa Rosa. Uma delas, em plena atividade, é a Focinho Amigo (Associação de Amigos dos Animais). A outra, que está apenas adormecida, é a Apam (Associação de Proteção ao Ambiente Natural). Feito o registro. 

As organizações não governamentais estão adquirindo importância crescente. Primeiramente porque atuam onde os governos estão ausentes. Em segundo lugar, porque as instituições políticas estão desacreditadas.

Veja os partidos políticos e seus líderes. Raros são aqueles que conseguem criar esperanças de uma nova sociedade. Governos e governantes, via de regra submetem-se ao poder do capital e negociam projetos de sociedade como se estivessem num balcão de varejo. Diante da falta de perspectivas, a população decide fazer algo por um mundo melhor, mesmo que seja em áreas restritas. É assim que as ONGs vêm ocupando espaço e permitindo às pessoas participarem (e interferirem) na vida social. Viva elas!