Imprensa livre?

Hoje, 3 de maio, é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data foi assim proclamada pela Assembleia Geral da ONU em 1993, por recomendação da UNESCO. Como sabemos, a UNESCO é a “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura”, e tem 193 países-membros. A UNESCO atua nas áreas de educação, ciências naturais, ciências humanas e sociais, cultura, informação e comunicação. Mantém convênios de cooperação técnica em muitos países, onde promove a liberdade de imprensa e o direito à informação, fortalecendo a diversidade, a proteção dos direitos humanos, a boa governança e a formação de profissionais. 
Por que estou dizendo tudo isso? Porque neste momento, no Brasil atual, uma séria e responsável discussão sobre o tema está fazendo falta. 
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Liberdade de expressão e liberdade de imprensa quase se confundem. A primeira diz respeito ao direito de manifestação de qualquer indivíduo, inclusive na forma artística. A segunda, corresponde ao direito (e dever) de a imprensa bem informar a população. Ambas dizem respeito à própria democracia. Em períodos autoritários, elas sucumbem à força bruta, à ignorância. A diversidade de ideias é crucial para que os países se desenvolvam e fortaleçam seus laços democráticos. 
Isso não significa que a “liberdade”, respeitada mundo afora e protegida na nossa Constituição, não tenha limites. Ou seja, se você emite uma opinião, precisa ser responsável por ela. A sua liberdade não pode ferir ou limitar a liberdade daquele a quem você deseja atingir. 
Por isso, são crimes o racismo, a xenofobia (ódio aos estrangeiros), o ódio de gênero (contra homossexuais em geral), a misoginia (ódio às mulheres) e outras manifestações que podem levar o agressor à condenação judicial. Aliás, são formas de ódio que estão circulando por aí...
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Com a difusão das redes sociais, a liberdade de expressão ultrapassou todos os limites. O que vemos não são apenas ofensas à dignidade de pessoas (muitos deles líderes políticos ou apenas pessoas que opinam de forma diferente), mas também a criminosa divulgação (e compartilhamento) de “fake News”, as famosas mentiras forjadas para agredir reputações. 
Como todo mundo agora se acha no direito de “opinar” (especialmente sobre coisas das quais não têm a menor noção), o que estamos assistindo é um patético espetáculo de desinformação e propagação de ódios. Exatamente o contrário do que imaginamos ser a liberdade de imprensa. Precisamos refletir a respeito, com urgência. 
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Já na imprensa, o quadro também não é dos melhores. Vemos comentaristas espalhando ódio e deixando expostas suas opções político-partidárias. Esquecem o verdadeiro papel do jornalismo, que é o interesse público. No Brasil, as incontáveis concessões de emissoras de rádio e TV a políticos, durante décadas, deixaram nossa democracia de mãos atadas. Quem perde com isso é o público e o país.  
Fazer imprensa de forma independente e responsável não é fácil. No Brasil, por exemplo, em 2018 foram registrados 227 casos de agressões a jornalistas, num aumento de 36% em relação a 2017. Os principais agressores são políticos, policiais, juízes, empresários, torcedores de times de futebol e integrantes de partidos políticos. 
Ou seja, quando a liberdade e o jornalismo é que deveriam ser a regra, parece que a regra agora é a violência como forma de impor a própria opinião. Triste, muito triste.