Celulares viciantes

Achei bacana a reportagem que circulou nos principais jornais do mundo há uns dez dias atrás. Ela fala do uso de telas (celulares, tablets, notebooks etc.) por crianças. Já estou acostumado a ver crianças com aparelhos eletrônicos nas mãos. Parece até que esses aparelhos se transformaram nas babás modernas. Os pais entregam aos filhos e estes ficam quietos.

As crianças, é claro, se divertem. Ficam fofinhas com um celular nas mãos. 

Mas voltemos à reportagem. O que há de interessante nela? Os jornalistas investigaram a vida familiar de executivos e milionários do “Vale do Silício”, lá nos EUA. Só pra lembrar, é aquela região do mundo com o maior número de empresas de alta tecnologia. Pois bem. Eles descobriram, com muita surpresa, que essa gente não cede à tentação de entregar equipamentos eletrônicos aos filhos. Logo eles! 

Pois vou citar dois caras de quem você já ouviu falar. Bill Gates e Steve Jobs, dois ícones da tecnologia, raramente deixavam seus filhos menores brincarem com os produtos que eles mesmos criaram. Jobs (falecido em 2012) costumava dizer que o uso da tecnologia na sua casa era muito restrito. 

Na Califórnia, a nova orientação de algumas escolas é a simples e pura eliminação dos celulares e equipamentos eletrônicos. Os professores usam o velho quadro-negro e os alunos escrevem (e muito) em seus cadernos. O interessante é que essa rotina de estudos foi uma exigência dos pais dos alunos, todos ricos e conhecedores das novas tecnologias. O uso das telas só entra no ensino secundário. 

Qual o problema que essa gente vê na tecnologia? Bill Gates costuma dizer aos filhos: “Primeiro os livros. Celulares somente aos 14 anos de idade”. Será que Bill Gates enlouqueceu? A grande problemática é o poder viciante dessas tecnologias. Chris Anderson, editor da revista Wired (que só trata de tecnologia), diz que “na escala entre doces e crack, isso está bem próximo do crack”. 

Observe à sua volta. Experimente deixar um adolescente sem o celular e você verá porque se diz que ele é terrivelmente viciante. 

E também tem o poder, digamos, “emburrecedor”. Empobrece a capacidade de aprender e de criar, algo tipicamente humano (e que não encontramos nesses equipamentos). No aprendizado existe um componente que só é nosso: a emoção. E se qualquer solução é o resultado de uma combinação de teclas, é óbvio que o cérebro vira uma ameba....
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Por falar em emburrecimento, esta semana tivemos a troca de mais um ministro no Governo Federal. Desta vez foi no MEC, justamente um dos ministérios mais importantes do país. Tiraram o Vélez, que não disse uma única frase inteligente em 100 dias no governo. No lugar dele colocaram um ex-executivo do sistema financeiro, que em seu discurso de posse já deixou bem claro que não entende nada de educação. Pelo visto, entende pouco de muita coisa. 

É disso que falamos. É importante tirar o celular das crianças e deixá-las conhecer a vida e o estudo. Se não, crescem e acabam virando ministros desse tipo.

Coisas da cidade

O ex-prefeito Orlando Desconsi estava saltitante de alegria durante esta semana. A Estação de Tratamento de Água (ETA), do bairro Cruzeiro, finalmente foi inaugurada. Todos lembramos as intensas e ásperas negociações da época (que envolveram até mesmo a possibilidade de privatização da água em Santa Rosa). A nova unidade afasta o risco de desabastecimento de água da cidade por muitos anos. Foi uma das maiores conquistas do governo do Orlando.
Na solenidade de inauguração não citaram o ex-prefeito. Nossa, que gente mais esquecida!... 
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Motoristas de veículos particulares e comerciais estão reclamando, e com razão. Em pleno horário de “pico” na cidade, caminhões bitrem (aqueles com duas carrocerias) trafegam pela Rua Santa Rosa e pela Av. Expedicionário Weber. O fluxo diminui, o trânsito se torna lentíssimo. Todos se irritam. 
Imaginávamos que o anel rodoviário teria solucionado esse problema. Mas parece que teremos de voltar ao assunto. 
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Diversos casos de dengue constatados na cidade. Estamos há mais de uma década em campanhas públicas intensas. Podemos indicar falhas pontuais, mas não podemos negar o esforço das autoridades no combate ao mosquito. E também sabemos da contribuição da população. Hoje temos consciência pública a respeito.
O trabalho vem sendo intenso. É uma luta que deve continuar. 
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A tal reforma da Previdência (deveríamos chamar de “sepultamento”?) tem várias faces. Para a região, os tópicos mais graves são os que envolvem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria rural e a desvinculação dos benefícios do salário mínimo. Por que digo isso? Para muitos municípios pequenos a “receita” advinda da previdência social se equipara (ou até supera) o retorno do Fundo de Participação dos Municípios. Podemos dizer que a economia de alguns municípios literalmente depende dos benefícios que aportam mensalmente. Com a reforma, essa circulação de dinheiro vai se reduzir de forma drástica. Em pouco tempo, os benefícios serão reduzidos e os municípios vão penar. 
Pois é muito estranho verificar que não há qualquer movimento político regional contra o projeto que, em pouco tempo, fará essas cidades “murcharem”. 
E os prefeitos da região? E os vereadores? Onde estão? Vão ficar calados diante desse empobrecimento proposital? Estarão envergonhados? 
Sabemos que na região alguns prefeitos apoiaram Bolsonaro. Mas a questão da previdência, para as economias locais, transcende essa preferência. Se Santa Rosa terá impacto, o que diremos de Tuparendi, Santo Cristo, Mauá, Xavier, Godói, Campina, Tucunduva, Vera Cruz e outros? Por onde andam essas lideranças?
Acreditam que irão gerir seus municípios na base de emendas parlamentares? Estão esperando o Mago Merlin ou o gênio que surgirá de dentro da lâmpada? 
 

Águas

Dias atrás comemoramos o dia da água. Veja que coisa bacana. “Dia Mundial da Água”. O mundo sabe disso, dessa importância toda, e está atento à água. O mundo sabe que ela está se tornando a cada dia mais importante para a vida. Em particular para a nossa vida de seres humanos.

Nosso corpo é 70% água. Se por um passe de mágica eu e você retirássemos a água do nosso corpo, nos transformaríamos em duas uvas passas e estaríamos mortos.

Para medir a importância, experimente ficar um dia sem água. Nem para beber, nem para o banho, nem para lavar as mãos. É como antecipar o caos. Em 24 horas perdemos 2,5 litros de água, que saem pelo suor e pela urina. Em dias quentes a perda pode ser maior. Quando sentimos sede é porque já perdemos quase 2% do nosso peso em água. Se essa taxa chega a 5%, já temos sérios comprometimentos clínicos.

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Os poetas gostam destas imagens. A água canta. A água geme. A água arrepia ao sabor do vento. Mas, principalmente, a água chora. Talvez por perceber que, em nosso tempo, está sendo contaminada. Justamente a parte menor, aquela de água potável, está sendo contaminada. É mesmo de chorar. A ONU diz que nos últimos 50 anos a água potável do mundo reduziu em 60%. Credo!

No Brasil estamos acostumados a ouvir que temos quase a metade da água potável do mundo. Com isso, acabamos descuidando da nossa água. É verdade que temos uma quantidade enorme, comparando com inúmeros países. Mas também é verdade que apenas 50% da população brasileira tem acesso à água potável, especialmente por causa da fatal de infraestrutura de saneamento.

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O volume de água no planeta é sempre o mesmo. Mesmo a água que bebemos logo vai retornar à natureza e fará parte dos rios, das nuvens, dos oceanos. E também voltará às torneiras em breve.

Neste momento, por exemplo, com um copo d'água à minha frente, posso estar bebendo a mesma água que um dia foi ingerida por um homem das cavernas. Ou por Jesus Cristo, por Pedro Álvares Cabral ou por Garrincha após um jogo da Copa do Mundo de 1958. É muita imaginação, você dirá. Mas não é improvável.

É fácil explicar. Um venezuelano bebe água do lendário rio Orinoco. O calor do trópico faz o suor de seu corpo evaporar. A nuvem, então, cai em forma de chuva em algum rio da região amazônica, que, por sua vez, fará nova formação de nuvens que se deslocarão para o sul do Brasil. Em pouco tempo, chove sobre o rio Santa Rosa. De lá, a água vai parar no seu copo pelo simples gesto de abrir a torneira. Parece mágica ou história de fantasia, mas é assim que acontece.

O ciclo da água é a melhor forma de explicar a nossa vida no planeta, pois  ele joga por terra todas as convenções, os muros, as fronteiras políticas ou geográficas. O mundo é um só. Como a água. E ela deveria ser de todos, mas está sendo abocanhada por grandes empresas internacionais. Infelizmente. 

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Nós estamos acostumados a brindar com copos de vinho ou champanhe. Deveríamos também brindar com copos cheios de água. Um brinde à vida que ela nos proporciona. Saúde!

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