Problemas sexuais

Em sociedade, falar em educação, infraestrutura, sanea-
             mento básico, saúde e outras coisas do gênero, é uma 
             forma de atuação política. Ou seja, são aspectos sociais que alcançam (ou não alcançam) a todos. Isto é política, repito.

Mas quando resvalamos para temas como a sexualidade, educação dos filhos e religião, estamos entrando no terreno dos costumes. Isto não é política.

O que vemos no Brasil de hoje é uma confusão enorme. A vida pública virou uma extensão da privada (da vida privada, bem entendido). Nos últimos anos, e isso ficou ainda mais claro na última eleição presidencial, o que se vê é essa confusão ofuscando o debate sobre os verdadeiros interesses do país. O brasileiro chegou à conclusão que não tem problemas sociais. Tem problemas sexuais.

Veja a seguir alguns casos recentes e notórios dessa encrenca.

***

Descobri, por exemplo, que há milhares que acreditaram em "kit gay", uma espécie de cartilha que estaria ensinando os estudantes a assumir a homossexualidade. Até hoje a cartilha não foi encontrada. Quem espalhou o boato está procurando-a loucamente, doido para aprender como sair do armário.

E esse pessoal obcecado por armas, demonstrando que são "machos"? Fazem poses em redes sociais exibindo armas. Fazem gestos de quem está portando uma metralhadora, algo bem ridículo. Ameaçam gays, lésbicas, negros. Esses caras têm problemas sexuais, é claro. Não é mesmo, caro Freud? Essa paixão por símbolos fálicos é coisa mal resolvida...

E aqueles que não querem aulas sobre sexualidade nas escolas? Certamente eles não falam sobre sexo com os filhos em casa. Escutam conversas com o ouvido colado na porta do quarto deles. Querem que eles aprendam onde? Na balada? E quando surgem as meninas grávidas, o que é que dizem? E quando os filhos aparecem com sífilis, aids ou outras doenças graves, o que explicam? Fatalidade divina? Ou vão querer colocar a culpa na escola?

E o que dizer daqueles que acham que a existência de gays é um problema político? Em Brasília, bateram em duas mulheres, achando que eram lésbicas, e depois descobriram que eram mãe e filha! O que dizer deles? Só podemos chegar a uma conclusão. Tem muita gente dentro do armário falando mal dos que já saíram de lá. O que falta a essa gente é coragem...

Mas temos, ainda, aqueles que se sentem incomodados quando veem uma senhora amamentando um bebê em público (casos recentes tornaram-se manchetes nacionais). Eles não sabem de onde vieram? Ou a visão de um seio abala o seu equilíbrio? Alguém que se manifesta raivosamente contra a amamentação em locais públicos precisa, no mínimo, comparecer às aulas sobre sexualidade e reprodução humana...

***

Moralismos sempre existiram. O problema é que agora os falsos moralistas estão em maioria. E continuam a confundir problemas políticos (de toda a sociedade) com problemas de comportamento (questões de foro íntimo). O resultado é que eles não terão solução para nenhum dos casos. Um moralista no governo será, fatalmente, um inútil, pois confunde as tarefas que cabem a um governante com aquelas que competem a um orientador moral ou religioso. Um moralista dentro do lar será uma ruína para a educação dos filhos.

Na política, é bastante claro. Questões de cunho moral são divulgadas com o propósito de ocultar problemas mais sérios. É o que estamos assistindo...

Coisas da cidade

De tempos em tempos Santa Rosa revela bons nomes na música. Acredito que 
isto é uma herança do Musicanto, festival que despertou talentos que, 
por estas bandas, andavam escondidos. Já disse, certa feita, que Santa 
Rosa é uma cidade musical. O que pode ser melhor para alegrar a vida?
Pois agora quem anda fazendo sucesso por aí é a dupla Darlan Ortaça e 
Vinicius Ribeiro. É uma dupla, mas não é sertaneja.
Sua música é bem do sul. A alta qualidade do trabalho deles pode ser 
conferida no CD "Balcão da Saudade". Procure o seu CD, pois ele não pode 
faltar na sua estante, e vá aos shows. Já  compareci a vários e estou 
esperando os próximos...
***
Meses atrás a cidade foi invadida por comentários acerca de uma possível 
vinda da rede de lojas Havan. Alguns se entusiasmaram e autoridades 
locais foram beijar a mão do dono da rede, o Sr. Luciano Hang.
O empresário Hang é polêmico. Vive às voltas com complicações com a 
Receita Federal. Exemplo: ele firmou recentemente um parcelamento de 
dívida tributária que levará 115 anos para ser pago. Agora também está 
envolvido com Ministério Público do Trabalho, que deseja multá-lo em 100 
milhões de reais por conta da atitude que tomou durante a eleição, 
quando forçou seus empregados a revelarem em quem votariam. Ele exigia o 
voto em Bolsonaro. Aliás, Luciano Hang adora fazer política, seja 
coagindo funcionários, seja atuando nas redes sociais.
As lojas Havan, para quem não lembra, é aquela que usa como símbolo a 
estátua da Liberdade. São lojas de departamentos onde você compra uma 
infinidade de produtos. Lojas espaçosas que oferecem produtos 
majoritariamente trazidos da China, Taiwan ou Índia. Há também alguns 
produtos fabricados no Brasil, é claro. Não preciso dizer que há outras 
redes de lojas
semelhantes no país.
A possível vinda da Havan para Santa Rosa, saudada com entusiasmo, salvo 
surpresa futura não passou de propaganda política em período eleitoral. 
O que não é novidade por aqui.
***
Quando falamos do programa "Mais Médicos" e a saída dos cubanos, 
lembramos imediatamente de regiões áridas do Nordeste e locais remotos 
da Amazônia. Esta é uma visão  equivocada.
Eles estavam lá, é claro, mas ao contrário do que imaginamos, é o Rio 
Grande do Sul o estado mais afetado pelo rompimento do convênio com Cuba.
Algumas cidades próximas estão perdendo seus médicos.
São elas: Ubiretama, Inhacorá, Mato Queimado, São Paulo das Missões, 
Tuparendi, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, São Paulo das Missões e Pirapó.
Superada esta fase, agora com a inscrição de médicos brasileiros, restou 
uma constatação que ninguém lembra. A pequena ilha, da qual muitos 
adoram falar mal, e cuja medicina está presente em muitos países do 
mundo, prestou ajuda humanitária aos brasileiros durante cinco anos. Não 
é uma ironia?
***
A novidade do esporte da região deixou de ser o futebol. Agora é o 
basquete, que não tem qualquer tradição por aqui. Após algum tempo se 
preparando, o "Sojão" agora está disputando o campeonato estadual, e 
muito bem, diga-se de passagem.
Afora o nome bem original, o "Sojão" terá a missão de desenvolver o 
basquete por aqui e também despertar a paixão do torcedor. Tomara que 
tudo isso aconteça. Agora é torcida é pela bola na cesta...

Ein bier, bitte

Veja que notícia assustadora. A cerveja está ameaçada pelas mudanças climáticas. O estudo foi publicado pela revista "Nature Plants", importante publicação científica de Londres, e diz que a Europa está sofrendo com as súbitas alterações do clima. Ondas de calor, tempestades e períodos de seca estão afetando a produção da cevada. Que diabos! Tinha que ser logo com a cevada?!!

Para os próximos anos, a produção do cereal na Bélgica, Alemanha e República Tcheca (as grandes produtoras) poderá sofrer redução de até 40%, o que terá reflexo direto no volume de cerveja, e também na exportação. Produtores da região já preveem redução na produção e elevação nos preços. Acho que estamos precisando de uma força-tarefa da ONU para modificar isto. Afinal, mudança climática é coisa séria. Mas faltar cerveja, já é demais!

*********************

Santa Rosa já tem produção artesanal de chope e cerveja. O fato, em si, é importante e revela mudança significativa no mercado de bebidas. Está acontecendo em todo o Brasil. As pequenas cervejarias, e também aquelas de fundo de quintal, estão ocupando espaço na preferência e no paladar dos consumidores.

Grandes produtores, como a Ambev, estão fazendo alterações em suas cervejas e lançando novos produtos. Durante décadas só nos ofereceram as cervejas produzidas em escala, que são cervejas de baixa qualidade. Agora, com a competição das pequenas cervejarias, que apresentam produtos saborosos e de ótima qualidade, eles estão preocupados. Para o consumidor, é hora de comemorar esse mercado alternativo.

*********************

No último dia 16/11 o Ministério da Agricultura publicou Instrução Normativa que determina a obrigatoriedade de constar, de modo claro, nos rótulos das cervejas, a indicação dos ingredientes que compõem o produto. As fábricas terão um ano para se adaptarem. Acontece que até agora os rótulos trazem apenas a expressão "contém cereais não maltados". Ninguém sabe o que isso significa. Os novos rótulos terão de dizer com clareza qual a base da cerveja: milho, arroz, trigo, aveia, triticale e assim por diante. Desconfia-se que estamos bebendo suco de milho transgênico.

*********************

Estudos mostram que o brasileiro caminha 1.440 quilômetros por ano e bebe 86 litros de cerveja. Ou seja, ele faz 16,7 km por litro.

*********************

Precisamos, porém, ter cuidado com o consumo. Por exemplo: a cerveja pode matar. Por isso, fique longe daqueles caminhões que transportam cerveja. Um engradado caindo na sua cabeça, pesando mais de 60 quilos, certamente irá matá-lo.

*********************

A cerveja é milenar. Era conhecida dos sumérios e egípcios, 6.000 anos antes de Cristo. Nas caravelas de Cabral que vieram ao Brasil em 1500 havia vinho e cerveja. Acho que descobri por que eles se perderam no Atlântico...

*********************

Se você não sabe o que significa o título desta coluna, pergunte ao alemão mais próximo.

1/80Página seguinte →240 registros