A falsa ideia de insegurança

Já durante a campanha política muita gente se valeu do  conceito de segurança para justificar voto em A ou B. 
           Queriam segurança!

Trazendo isso para o cenário local, ouvi poucas e boas nos últimos meses, mas, especialmente, nas últimas semanas, após quatro assassinatos que deixaram os santa-rosenses de cabelo em pé, em clima de filme de Hollyhood. Há os interessados no caos. Ou, na falsa ideia de caos. Empresas de segurança privada ganham com isso, imprensa ganha com isso, políticos lucram em bater no governo, etc e tal.

A verdade é que, quando nos referimos ao cenário de Santa Rosa e região, somente os mais jovens são capazes de dizer que a segurança piorou. Isso porque os mais jovens não conhecem a história local. Ou são alimentados por pessoas de mais idade que não viveram nesta cidade em décadas passadas.

A situação de Santa Rosa nunca esteve tão boa, tão pacífica, muito embora eu tenha consciência que o tráfico está rondando. Há pouco mais de 30 anos ninguém de fora entrava em certas vilas, havia temor em entrar à noite (e às vezes até de dia) na Agrícola, na Auxiliadora, na Pau Pega, na Planalto e outras. Isso somente mudou na década de 90, depois que assassinaram o caminhoneiro Ademar Pereira da Luz na Planalto.

Não foi apenas a força policial usada pelo prefeito Osmar Terra naquela operação faxina que surtiu efeito para mudar a realidade de violência. As comunidades eram violentíssimas porque eram extremamente pobres, sem água encanada, sem luz, sem estradas, sem nada. E pessoas sem esperança não têm nada a perder. Nem a ganhar.

O que mudou?

A violência se foi à medida que as periferias receberam escolas, postos de saúde, asfaltos, terrenos delimitados e casas populares. A violência migrou a partir da presença do poder público constituído para ouvir os anseios das comunidades.

É preciso que os arautos da nova política, e os mais jovens que reclamam da violência, compreendam que não há possibilidade de mudança se não houver avanço social. Pobreza produz violência.

De resto, a violência é tráfico. E tráfico não é coisa de pobre. Pobre é usado. Quem paga o tráfico é gente grande, ricos encastelados em mansões e carros de luxo, porque traficante pequeno não tem como investir milhões para comprar a droga no exterior e criar o mecanismo de distribuição.

Quem alimenta a boca de fumo é o rico. E mais, se fossem prender os usuários, teria muita gente graúda e importante de Santa Rosa chorando os seus filhos atrás das grades.

Todo o resto é demagogia semeada para obter vantagens em torno de pessoas incapazes de olhar além da primeira cortina de fumaça.