As boas e as más notícias da eleição

Cada um de nós já leu dezenas de análises e tirou suas próprias conclusões do pleito realizado no domingo, mesmo assim, alguns apontamentos ainda cabem.

Em primeiro, penso eu, que os candidatos que foram ao segundo turno aí estão porque ficamos sem opções melhores. Eu, por exemplo, queria que se lançasse candidato o Joaquim Barbosa ou o Augusto Cury. Sinceramente, com respeito às opiniões, mas Marina não era uma opção, como Alckmin e Meireles também não. No final, se escolheu por exclusão, não por aceitação. Eu, por exemplo, não votei em nenhum dos quatro do segundo turno! 

O gaúcho realmente resolveu fazer limpeza. A renovação de 54% na Assembleia me surpreendeu positivamente. Aí, decepção regional, que conduziu as mesmas lideranças. No entanto, que bom que contaremos com representantes no parlamento.

A renovação no Senado foi ótima. Já na Câmara dos deputados federais foi pequena demais. É decepcionante ver a população eleger Tiririca e Aécio Neves. Pior que isso somente a votação do Alexandre Frota, pois um cara com seu histórico não poderia sequer ser aceito em partido que tenta se mostrar superior, ético e sério, quanto mais se eleger para a bancada que vai defender a família e Deus.

Já o MDB pagou o preço de ter apoiado a Dilma e depois tê-la destronado para colocar lá o mais impopular presidente que o país já teve. Meireles e Perondi que o digam! Outros grandes caciques do partido se deram mal também. Saiu pior que o PT na foto.

Eis uma das esperanças dos brasileiros: que a Justiça passe a régua naqueles que ficaram sem mandato e podem ser processados. Nessa conta entram muitos nomes, de quase todos os partidos. Quem sabe o Brasil mude um pouco depois disso!

A lamentar a corrente de ódio e preconceito contra os nordestinos depois da votação de Haddad naquela região. Isso apenas demonstra o quão culturalmente atrasados os sulinos e paulistas ficaram. Sim, porque quem semeia ranços só pode ser atrasado (ou doente).

Nada de novo no “front” com relação a Benedetti, Miro, Colla, Betinho, Volnei, etc. Eu, sinceramente, esperava um pouco mais de apoio ao Vicini filho. Aliás, isso rende uma crônica em separado.

Para os eleitores, as filas foram terríveis. Aquela conversa de que foi em uma ou duas seções não cola. Eu estive em várias e vi a demora, às vezes por quase uma hora de espera.

E para finalizar, sobre as mentiras na rede social... É de doer você ver empresário esclarecido ou professor universitário compartilhando mentiras grosseiras na internet. De pessoas assim eu quero distância. Pensar diferente é normal, escolher candidato com o qual não concordamos, também, mas gente que espalha mentira é perigosa, não merece o respeito. Anote isso, e fuja dessas amizades porque elas vão te trair na primeira esquina.

Bom segundo turno a todos nós.

O que esperar das eleições?

Sinceramente, salvo o eleitor seja muito ingênuo, há pouco a esperar de novo quando forem anunciados os resultados do pleito deste final de semana.

É tanta a desesperança, Clairto? Não! É, antes, uma visão realista daquilo que vejo, leio e ouço nestes tempos de cólera desmedida. Sobram ódios, falta lucidez e as pedras se amontoam nas esquinas como na “noite dos cristais”.

As leituras de impõem claras, pois há acentuado radicalismo de lado a lado. O ódio que se avoluma há de ficar, por décadas, enraizado nos cidadãos. O sul se coloca cada vez mais em colisão contra o nordeste do Brasil. As classes sociais estão em atrito como há muito não se via. Esfacela-se a nação.

Na outra ponta da corda - embora eu tenha defendido renovação de 100% com a proposta de não votarmos em ninguém que está no poder, em esfera alguma – não tenho expectativa de grandes novidades. Vai se impor a força financeira do financiamento público de campanhas, que serve apenas para perpetuar aqueles que lá estão e usam a estrutura em seu benefício. As pesquisas apontam que 70% dos santos serão levados de volta ao altar. Assim, escaparão das garras da lei outra vez. Damos a eles o atestado para que roubem mais.

Somente um parlamento novo, sem as velhas raposas, poderia proteger as galinhas. Duvido que haja a renovação.

Em meio a isso temos o Judiciário a governar o país como se fosse o Executivo, em vã tentativa de consertar alguma coisa e, muitas vezes, exercendo total poder, porém a critério de suas próprias interpretações. 

O país está em franco retrocesso. Não é a economia que vai mal. É o todo. As nossas lideranças são fracas e inaptas, e outras tantas são maldosas. Daí, não raras vezes, vem o domínio dos maus sobre aqueles que são incapazes de pensar por conta própria, e vemos as redes sociais usadas para manipular e semear apenas mais asneiras.

Eu não usei o Face ou Whats nos últimos meses para compartilhar notícias ou informações que imaginava úteis, aquelas que todos deveriam ler e analisar. Concluí que as verdades não interessam à maioria. As pessoas preferem ler mentiras. Cada um quer crer em suas teses fantasiosas. 

No fim, o que esperar desta eleição? Sinceramente, muito pouco de alento. É jogo de cartas marcadas.

Porém, nós sabemos que, independente do resultado, somos construtores de nossos caminhos, somos responsáveis pelo sucesso ou derrota pessoal. A nossa vida, aquela que temos em casa e na lida profissional, não depende das urnas.

Conscientes disso, podemos fazer escolhas com ideia simples: nosso voto é para projetarmos um país aos nossos filhos e netos. Coloque isso em mente. Vote pelo futuro. E pela paz. 

Os recortes de jornais do PHF

O PHF, o mesmo que foi patrono da mais recente Feira do Livro de Santa Rosa, me “brinda”, frequentemente, com recortes de jornais enviados pelos Correios. Como ele é leitor assíduo e assinante de impressos aos quais não tenho acesso, salvo pela internet a fragmentos, sempre encontro novas e preciosas leituras a fazer em periódicos editados em São Paulo, Rio, PoA, etc.
Embora em questões políticas e econômicas tenhamos visões bem distintas, eu e o PHF somos bons leitores de entrelinhas. Daí, partilhar esses recortes de jornais amplia minhas perspectivas de leitura social, especialmente do mundo dito globalizado. É importante isso quando estamos às voltas em processo político tão conturbado quanto este vivido nos últimos anos, pois mais e mais se faz necessário olhar para além das cortinas chamadas fronteiras.
A Inglaterra saiu da União Europeia recentemente em doloroso processo interno. A maioria da população quer que o governo proteja os seus interesses e se feche um pouco para o mundo. Há outros países do bloco Europa se fechando contra o mercado global porque entendem este explora ao máximo para devolver o mínimo. Isto tudo enquanto acompanhamos uma guerra comercial declarada entre China e EUA.
Pois é, há nações que se fecham ao que denominam mercado aberto e liberal! Já o Brasil do atual modelo, ele não se abre, ele se doa - se dá. Os governantes estão a nos entregar de graça à fome do mercado. Não estou a afirmar que a política anterior estivesse certa, apenas estou a registrar que não há nada animador no horizonte, apenas servidão para o brasileiro.
Em recorte do PHF li um texto fantástico, longo, sobre a era Trump e sua imensa reprovação (que nem de longe se aproxima a do Temer, que deve ser a pior da história do Brasil). O analista internacional afirma que vai faltar mão de obra barata nos Estados Unidos em dois anos. Sabe por quê? Porque o senhor das armas fechou as portas aos imigrantes.
Pior que isso, essa falta terá reflexos em pelo menos três anos depois do Trump porque 50% dos trabalhadores da agricultura são imigrantes, especialmente mexicanos - que ganham menos e se sujeitam a sujar as mãos. Na construção civil e nas indústrias pesadas eles são pouco menos, porém, são aqueles que fazem todos os serviços pesados, de modo que também estas serão afetadas.
Os recortes de jornais do PHF me permitem ir além de visões de esquerda e direita nacional que se digladiam com a aposta simples de usar a falta de educação/cultura de uma parcela do povo ou os muitos preconceitos que o brasileiro ainda carrega latentes na alma.
Jornais e livros são preciosos clareadores para deixarmos essa época de trevas para trás, se é que a deixaremos. Aqui, uso uma frase que vi no Face do amigo Gerson Lauermann durante a semana e que me agradou “por demás”: A única lei que pode salvar o Brasil - LEI-Tura.

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