sexta-feira, 2 de agosto de 2013 16:51

Cachaça

Não dá para concordar com aqueles que reclamam de gastos públicos com a Jornada Mundial da Juventude. Sem entrar

no terreno movediço da fé religiosa, é importante lembrar que a JMJ foi um evento grandioso. Só na noite de sábado reuniu 3 milhões de pessoas. Algo quase inacreditável.

Ora, um evento (religioso ou não) que reúna grande número de pessoas exige a presença do Estado, fornecendo segurança, cuidando da mobilidade, da saúde, entre outras coisas. Omitir-se, sim, seria uma irresponsabilidade.

O evento foi visto no mundo todo. 157 países estavam representados. Segundo pesquisas, 70% dos visitantes querem voltar ao Brasil em passeios futuros. O dinheiro deixado pelos turistas beira 2 bilhões de dólares!

Só esses números mostram que devemos nos orgulhar do que aconteceu na última semana. Quanto à tua fé, isso é outra conversa. Bem mais complicada...

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O tema sugere uma reflexão sobre o Estado laico brasileiro. Laico significa "não religioso", secular (ou seja, não eclesiástico).

Já ouvi muita conversa fiada a respeito. Lembra da discussão sobre símbolos religiosos em prédios públicos? Pois bem. Não se trata de negativa pública ao direito de escolha da sua fé. A ausência destes símbolos em prédios públicos significa o respeito a todas as religiões (e não apenas àquela lá representada), e também respeito àqueles que não professam qualquer religião. Com isso, estamos dizendo que o Estado respeita a todos os cidadãos. Isso é um Estado laico.

E por falar nisso, a Câmara de Vereadores de Santa Rosa continua abrindo suas sessões semanais invocando a "proteção de Deus".

Não está na hora de eliminar essa frase?

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Em Ijuí, esta semana, houve protesto de pescadores que pedem a liberação da pesca do dourado e do surubi. Os apreciadores da pesca, seja no Uruguai ou nos seus afluentes, há muito vem fazendo esta reivindicação. Segundo eles, os rios estão cheios destas duas espécies de peixes, o que permitiria a liberação.

Salientam que a proibição vem de longa data, e só ocorre no lado brasileiro do rio Uruguai. No lado argentino, tudo está liberado. Uma contradição em si. Diante dessa constatação, posso desconfiar que os peixes estão circulando somente para o lado brasileiro do rio. No lado argentino a coisa está perigosa para eles... Brincadeira à parte, cabe a manifestação das autoridades trazendo a público as razões (que imagino existirem) para que a proibição persista. Há, ainda, o risco de extinção dessas espécies nos rios da região?

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Pois na quarta-feira, em Três Passos, a Polícia Federal apreendeu uma carga enorme de cachaça cujo destino era (adivinhe!) Santa Rosa! Uma caminhão repleto de garrafas da água que passarinho não bebe, sem selo de fiscalização da vigilância sanitária e sem origem definida. Além de problemas fiscais, problemas para a saúde dos consumidores. E surge a suspeita de que, por aqui, pode haver muita cachaça falsificada. Aliás, o consumo da "mardita" em Santa Rosa é impressionante, apesar de todas as advertências quanto à saúde de seus consumidores.

Por via das dúvidas, quando você visitar o bolicho da esquina, peça ao bolicheiro: "Aquela que matou o guarda, mas só se tiver o selo de qualidade!"

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