sexta-feira, 19 de julho de 2013 16:42

Antes de partir

 

Dizem que as pessoas, quando perto da morte, revisam certos conceitos e analisam a própria vida. Geralmente, meditam sobre coisas que deixaram de fazer, e se arrependem disso. Pois uma enfermeira norte-americana pesquisou quais os principais arrependimentos dos pacientes terminais. Com grande sensibilidade, a mulher ouviu, ao longo de anos, as manifestações das pessoas que, logo após, morreram. São cinco os arrependimentos comuns nesses momentos em que olhamos para trás. Veja.

"Gostaria de ter sido fiel a mim mesmo, e não viver aquilo que os outros esperavam de mim". É o primeiro grande arrependimento. A grande maioria vive de forma simulada, às vezes fazendo aos outros coisas que eles não lhe pediram.

"Gostaria de não ter trabalhado tanto". Este é o dilema antigo. O trabalho compensa o tempo que poderíamos ter dedicado a viver melhor?

"Gostaria de ter mantido contato com meus amigos". A amizade, nem precisamos comentar, é uma das gratificações da vida, e é comum o arrependimento daqueles que não curtiram plenamente os amigos.

"Gostaria de ter me deixado ser mais feliz". São incontáveis os momentos em que afastamos a alegria, o contentamento, em nome de um comportamento social aceitável. Mais uma vez, o papel social nos afasta de nós mesmos.

"Gostaria de ter tido coragem de expressar sentimentos". Essa é uma doença da qual muito poucos conseguem se livrar. E muitos morrem sem jamais dizer às pessoas próximas o amor que sentem, a alegria de conviver com os parentes e amigos. A mesma coisa podemos dizer em relação aos gestos de afeto, coisa tão rara.

Pois é isso mesmo. Ao final da jornada perdemos a capacidade de fingir e o que é bom dentro de nós aflora. Apesar da despedida tão próxima, essas pessoas têm a capacidade de reconhecer que perderam pedaços importantes da vida. Acho que vale a pena pensar sobre esses arrependimentos, antes que chegue a nossa vez de manifestá-los.

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A Câmara Federal aprovou moção de repúdio contra a espionagem americana envolvendo cidadãos e empresas do Brasil, e também apoiou a iniciativa do governo em levar o caso à análise da ONU e da OEA. Ótimo, porque é postura de integridade diante da agressão ao direito internacional que vem ocorrendo. O escândalo também envolve diversos outros países da América Latina.

Para surpresa nossa, alguns deputados votaram contra a manifestação do legislativo brasileiro. As razões para isso são desconhecidas (teria sido o medo?). Entre esses deputados federais, alguns são nossos conhecidos, que buscam votos aqui na região. Veja alguns deles: Vilson Covatti, Luiz Carlos Heinze e Jerônimo Goergen (PP); Darcísio Perondi e Osmar Terra (PMDB); Danrlei Hinterholz (PSD). A lista completa foi divulgada pelo jornalista político Fernando Brito, no Rio de Janeiro.

No mínimo, estranho esse comportamento.

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A polêmica da vinda de médicos do exterior chega a ser desproporcional. A "importação" de médicos é um fenômeno mundial, e ninguém fica escandalizado com isso. O Reino Unido, por exemplo, tem quase 40% de médicos vindos da Índia, Haiti, e outros países pobres, cujos profissionais buscam na Europa melhores condições financeiras. Nos Estados Unidos, a "cota" dos médicos estrangeiros chega a 25% do total de profissionais. Na Noruega, 16,3%. Evidentemente, a competência profissional deles foi devidamente aferida.

Por aqui, parece que estamos vendo monstros. Um exagero, convenhamos.

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