• segunda-feira, 9 de abril de 2018 07:37

    Tropeçando na mesma pedra

    No último domingo, em frente à TV, decidi assistir ao primeiro jogo da final do campeonato gaúcho. Antes do jogo, a música foi o hino nacional. Ninguém prestou atenção. Nem jogadores, nem a torcida. Os locutores de rádio e TV continuavam seus comentários.

    Eu me pergunto: por que continuamos com essa prática? Ela só se justifica em jogos internacionais, ou em partidas que envolvam a seleção brasileira de futebol. Mas, nos campeonatos regionais, qual a razão? Ninguém sabe.

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    Veja outro caso que eu não consigo entender. Nas rodovias, diante dos postos das polícias rodoviárias (estadual ou federal), há uma sequência de cones e placas forçando os motoristas a reduzir a velocidade. Até hoje não entendo a razão disso.

    A polícia, com a autoridade que possui, pode fazer barreiras em qualquer lugar e quando entender necessária a atuação ostensiva e fiscalizatória. Em outras palavras, raramente a barreira é feita no próprio posto policial.

    Mas, então, por que reduzir? O motorista está numa rodovia e subitamente tem que reduzir para 40 km/hora porque existe um posto policial (muitas vezes vazio) à beira da estrada.

    Vou dar um exemplo. Na cidade de Palmeira das Missões, diante do posto rodoviário, o motorista é forçado a sair da estrada, contornando um canteiro e formando uma fila de carros, atrapalhando o fluxo. Por quê?

    Uma possível explicação é antiga. A redução de velocidade é uma reverência à autoridade policial. Bobagem. A segunda, na qual acredito, é que se trata de mais um costume que ninguém questiona. Há muito tempo se faz assim. Assim continuaremos fazendo. Não está na hora de repensar?

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    São exemplos de coisas inúteis, mas nunca questionadas. Apenas repetidas. Muitas vezes fazemos coisas por força do hábito. Sempre se fez assim. Continuaremos fazendo. É difícil quebrar um hábito.

    Há um ditado que diz que o homem é o único ser que tropeça duas vezes na mesma pedra. Isso lembra aquelas promessas da virada de ano. A maioria esmagadora não é cumprida. No final do ano seguinte vamos renovar as promessas e compromissos.

    A inovação, a criatividade e o “fazer diferente” muitas vezes encontram barreiras insuperáveis na rotina, no hábito, no costume de fazer sempre o mesmo. É o que alguns chamam de “zona de conforto”. Continuo fazendo assim porque está funcionando. Perde-se a oportunidade de perguntar se não poderia ser diferente, mais rápido, mais eficiente ou mais econômico. Isso vale para a nossa vida familiar, para a vida social e política, para o funcionamento interno de uma empresa ou de qualquer instituição. Proponha esta reflexão lá no seu local de trabalho e você irá descobrir coisas surpreendentes...

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    Dias atrás, aqui na crônica, manifestei uma dúvida: por que o número 40 aparece tantas vezes na Bíblia? Seria um enigma, uma charada? Nada disso.

    Descobri, acidentalmente, que no aramaico (a língua falada por Jesus) a aritmética era rudimentar. “Quarenta” não era um número, e sim uma expressão idiomática para dizer “muitos”. Assim como hoje dizemos “já se passaram cento e tantos dias desde o teu aniversário”. Ou seja, muitos dias além da centena. O problema foi a tradução da Bíblia para as línguas românicas, incluindo o português.

    Ficou fácil entender, então, que Cristo ficou “muitos dias no deserto”, que Noé esteve “muitos dias na arca”, e assim por diante. Não exatamente 40 dias.

    Vivendo e aprendendo...

  • sábado, 31 de março de 2018 09:43

    De tudo um pouco

    O Musicanto deste ano terá uma novidade surpreendente. Durante o festival será lançado o livro "Dó Maior - Musicontos", uma coletânea de contos livremente inspirados nas músicas do festival.

    Como o próprio festival é sinônimo de liberdade de estilos, o livro também é uma reunião de textos que dialogam com canções.

    Leitura boa, garanto. Reserve o seu.

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    E agora? Trabalho dobrado para nós, gaúchos. Teremos de explicar ao Brasil e ao mundo que os gaúchos não podem ser confundidos com aqueles grupos que apareceram em Bagé e Passo Fundo.

    Brasil afora, neste momento, o Rio Grande está ridicularizado.

    O que dizer desse grupelho? Covardes com armas na cintura e pedras nas mãos. Inimigos da democracia. Medrosos. Isso mesmo. Só os medrosos e covardes têm medo da democracia.

    As fotos e os vídeos que circularam na internet mostram claramente um bando travestido de machões. Orgulhosos da própria ignorância. Que tipo de contribuição ou exemplo eles imaginavam dar aos brasileiros?

    Pois é. A partir de agora teremos uma tarefa inglória. Resgatar a imagem de um estado da federação que aprecia a civilização. De um povo que respeita as diferenças políticas. Vai ser difícil, eu sei. O Brasil está perplexo. Mas haveremos de desfazer essa imagem.

    Antes de mais nada, teremos que dizer ao mundo que esses covardes, que agem em bando acreditando que sua atitude não será reprimida, são uma excrescência no mundo civilizado. Lamentável.

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    Achei muito legal, e merecedora de todos os elogios, a iniciativa da Delegacia Regional de Polícia, que está ministrando palestras em escolas estaduais, esclarecendo alunos sobre a atuação policial e explicando pequenos delitos que podem ser evitados.

    A iniciativa, denominada "Papo de Responsa", conta com a atuação de duas escrivãs e uma agente da polícia.

    Os estudantes aprendem aspectos importantes da atividade policial, o que é de grande importância para o convívio social. Afinal, eles, mais do que nunca, convivem e observam a violência e os conflitos do mundo contemporâneo.

    Precisam, portanto, aprender a conviver com isso.

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    Tempos atrás elogiei outro projeto, também com finalidade educadora, porém envolvendo o mundo das drogas. O "Proerd", que é uma iniciativa da Brigada Militar.

    Milhares de estudantes já participaram. Certamente eles estão conscientes e livres deste tipo de ameaça.

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    É fantástico ver que as forças de segurança, além da sua missão institucional, voltam-se para a educação, num forte trabalho preventivo. É ótimo.

  • segunda-feira, 19 de março de 2018 08:15

    De tudo um pouco

    O conhecidíssimo Coral Santa Cecília, de Santo Cristo, inaugurou no último final de semana a sua "Casa do Coral". Uma bela edificação em arquitetura alemã (enxaimel), que reproduz a residência dos primeiros colonizadores.

    O coral é formado exclusivamente por homens, e já completou um século. O repertório vai desde músicas alemãs até a música popular brasileira. O grupo mantém ensaios mensais e apresentações em todo o sul do Brasil.

    Os cantores garantem que a entidade chegará ao segundo centenário. Pela energia deles, não duvido.

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    Nosso amigo Pedro Berwian, santa-rosense que vive na Guatemala, acaba de ser agraciado com a comenda da Ordem "Rafael Landívar" pelos serviços prestados nas áreas de turismo e cultura na histórica cidade de Antíqua, que comemora os 475 anos de criação. É tida como a mais antiga colonização espanhola nas Américas.

    É uma espécie de agradecimento dos guatemaltecos ao Berwian.

    Posso dizer que sou "testemunha ocular" do envolvimento do Pedro com aquela comunidade de língua espanhola e tradições centenárias, onde estive algum tempo atrás. Merecida homenagem, Pedro!

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    Enquanto isso, na costa do Uruguai, a cidade de Porto Mauá divulga ampla programação comemorativa aos seus 26 anos.

    Ainda é uma menina, digamos assim, mas a programação é extensa. Vai do dia 16 até 25 de março. Tem palestras, oficinas, rodeio e, é claro, baile e sarau dançante para os "pés-de-valsa".

    A turma da costa do rio não deixa por menos.

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    A quaresma, nesse momento celebrada pelos cristãos, é o período de 40 dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa. Um período dedicado ao jejum e à reflexão religiosa, respeitado por católicos e evangélicos.

    É interessante perceber que o número 40 está sempre presente. Também foram 40 dias de dilúvio enfrentados por Noé, 40 dias de Jesus no deserto preparando sua peregrinação, 40 anos de andanças do povo de Israel, e assim por diante.

    Vou precisar da ajuda de um teólogo para explicar essa curiosa repetição do número 40.

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    É um período de forte espiritualidade. Aproveitando esse clima, a CNBB dá ênfase, nesta época do ano, à Campanha da Fraternidade.

    Em 2018 o tema é a violência que permeia a vida das pessoas. Não só aquela violência midiática do Rio de Janeiro, mostrada pela TV para justificar movimentos equivocados da política e que não consegue esconder a incompetência administrativa.

    Trata, sim, da violência que está nas ruas, mas também daquela que está dentro dos lares, das empresas, do ambiente escolar. Porque a violência nem sempre é física. Esta todos conhecemos, ela é visível. No mundo atual a violência mais covarde, e menos visível, é a moral, aquela violência subliminar, que subjuga, humilha, ofende e deixa cicatrizes psicológicas.

    Não é preciso dizer que a violência só é superada pela fraternidade, aceitação das diferenças e valorização da vida humana. Difícil, eu sei, mas possível.

  • sexta-feira, 9 de março de 2018 14:57

    Atraso

    Um relatório do Banco Mundial despertou a atenção nesta semana, e reacendeu um debate antigo. A imprensa brasileira deu destaque ao assunto.

    O relatório diz que as crianças brasileiras precisarão de 260 anos para atingir o mesmo patamar de leitura das crianças dos países desenvolvidos. No campo da matemática, nosso atraso é de 75 anos.

    Em resumo: no ritmo atual, levaríamos 260 anos para alcançar os países ricos.

    Os dados, que comparam o desempenho em dezenas de países, são de assustar. Para recuperar esse atraso, só mesmo com uma revolução na educação e investimentos de peso. Como sabemos, estas coisas não estão acontecendo no Brasil.

    A divulgação, pelo Banco Mundial, tem o objetivo de pressionar governos para que patrocinem a evolução cultural e humana, único caminho para tirar as populações da miséria.

    Entre os problemas das nossas crianças, duas constatações. Elas não recebem os estímulos necessários e entram na escola carentes de habilidades. O quadro começa já nos primeiros anos de vida e alcança a escola. O resultado é que ficam em desvantagem para aprender, repetem de ano, abandonam os estudos e seu quadro de saúde é precário. Terão dificuldades pelo resto de suas vidas.

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    Nas últimas décadas tivemos avanços importantes. Mas a velocidade nas melhorias deveria ser muito maior. Os pesquisadores afirmam que pecamos na qualidade. Nossas crianças aprendem a ler, mas não a interpretar. A proficiência em leitura é uma das mais baixas do mundo. O quadro é quase o mesmo na matemática.

    O que fazer?

    Alguns exemplos pelo mundo afora deveriam ser observados. Recentemente, os melhores desempenhos (além dos países ricos, é claro) são o Chile, Cuba, Colômbia, Peru, Coreia do Sul e Vietnam.

    Esses países não estão fazendo nada revolucionário. Eles apenas decidiram que a educação é o caminho para uma vida melhor, para uma população mais feliz e distante da violência e da pobreza. Uma questão de prioridade.

    Valorizar o professor, estabelecer metas sistêmicas, disseminar a leitura e investir na qualidade. Fazer da educação um projeto de nação. Parece que foi isso que nós, brasileiros, abandonamos.

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    Enquanto isso, uma cruel ironia. Na mesma semana o secretário estadual de educação do RS, um tal Ronald Krummenauer, dizia à imprensa, quando questionado sobre o fechamento de escolas no Estado: “Eu deveria ter fechado mais escolas”.

    Deveria, mesmo, é ter fechado a boca.

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    Mudando de assunto, registro que estamos no mês da mulher, e isso não é pouca coisa. Os direitos da mulher estão na pauta como nunca estiveram. Assédio e violência devem estar em todos os debates. Não é questão de ser politicamente correto. É questão de direitos humanos, isto sim.

    A propósito, dizem os gaiatos que o dia escolhido seria 6 de março. Mas como as mulheres demoraram dois dias para se arrumar, acabaram adiando para o dia 8 de março, que ficou, então, marcado internacionalmente como o Dia Internacional da Mulher.