A barriginha não é afrodisíaca
Ou então o título poderia ser, coluna para quem tem menos de 45 anos ou até um pouco mais. A barriginha não é afrodisíaca. Se alguém pensa diferente, é porque ainda não perguntou a sua esposa. Ou ela não teve coragem de responder a verdade, feito uma bofetada com palavras.
Tem horas em que as mulheres disfarçam, noutras, calam a lâmina linguística na última raiz da carne para dizer sem entrelinhas “você está engordando ou é impressão minha?” Ela não disse (mas disse) que a saliência frontal acima da cintura apareceu. Acenda o sinal de alerta, compre um espelho maior, se necessário, e repare no time de futebol ou nos amigos de sempre. É meia medida.
A senha para pegar o rumo de uma academia é a mulher. No começo ela faz de conta que não vê a protuberância, ainda pensando “ele vai emagrecer. É só uma fase”. Depois, ela estica o olho e dá uma risadinha sacana quando te flagra mirando o espelho, na famosa posição lateral, de grávida no quinto mês da gestação. Essa é mortal, quase sempre é a assinatura da ficha na academia. Nas fases seguintes não cheguei ainda!
Há afrodisíacos vendidos em farmácias e há aqueles momentos únicos do casal, mágicos, em que as sutilezas e malícias entre quatro paredes funcionam como tempero. E tem que ter tempero algumas vezes. E temperar gordura é complicado, né!?
A minha barriginha, ao menos, não é nada estimulante. Incomoda de leve, por enquanto. Não na hora H, que ali não influi, mas a dita cuja mexe com a autoestima, para baixo, claro! Parar em frente ao espelho, sem camisa, ver a massa (e que massa!) é o “fim da picada”. Se a gente repete o gesto meia dúzia de vezes numa semana, na outra está na academia.
E as academias estão lotadas. Teste, tente agendar. Conseguir uma hora para fazer ginástica ou musculação nos horários após às 18 horas é difícil. É sinal que terminou o inverno e é chegada a estação das roupas curtas, muitas vezes microscópicas. As mulheres querem mostrar tudo (quase tudo), em dia, saradas. Os homens, ah!, se sumir a barriguinha em forma de bola de futebol sete, que sonho!!!
No começo a gente diz que faz academia por questões de saúde. Depois admite, é para evitar os comentários tipo “que tanquinho é esse”. A barriginha é aceitável em uma determinada fase da vida, mas não em todas as fases. Tomei uma injeção de vergonhol e comecei outra vez a frequentar os exercícios. Pelo menos no verão, porque no inverno a gente disfarça com a coberta e “roupichas”.
PS: “fim da picada”, gíria mui antiga que designa “é o cúmulo”.