O Brasil já produziu figuras públicas antológicas, pessoas que no uso das funções apropriaram-se de recursos do Estado para fins particulares, acumulando fortunas. Pior que isso, somente perceber que muitos destes homens sem caráter ético voltaram aos cargos conduzidos pelos votos do povo, à validação da mais tosca frase já proferida e aceita entre as massas: “rouba mas faz”. Inaceitável, porém que externa a grande carência da população em alguns aspectos ao longo de décadas de omissão do Estado como ente capaz de suprir necessidades básicas em educação, saúde e habitação.
Quando o setor público é inoperante, quando deixa a desejar em áreas vitais, o primeiro sintoma é empobrecimento, a começar pelos municípios e pela população que vive nestas comunidades. Por isso, em periferias de grandes cidades ou em localidades distantes dos grandes centros, em geral se dissemina a miséria, ou porque o Estado é omisso em suas obrigações ou porque não possui recursos para atender as demandas básicas.
Um bom exemplo vem de Porto Mauá, município novo, de população pequena e com território agrícola bastante empobrecido pelas próprias condições de cultivo. Teria, em tese, todas as característica de mais uma comunidade onde nada acontece e a população minguaria em todos os setores de assistência. Mas não é esta a realidade. A Administração Municipal anunciou na semana passada o balanço financeiro do exercício de 2010. Todo o orçamento é de apenas R$ 8,9 milhões, algo como 40% do que Santa Rosa tem destinado apenas para a gestão da Fundação Municipal da Saúde.
Com este pouco de dinheiro, além de manter todas as contas em dia, o prefeito Pisoni e sua equipe (sim, porque os avanços são coletivos) conseguiram fazer investimentos em obras e ainda gerar um superavit de R$ 630 mil que serão empregados para patrulha agrícola, habitação e outras demandas. Mais positivo que isso, apenas constatar que a Prefeitura gastou tão somente 39% com a folha de pagamento dos servidores. Isso é modelo, é exemplo de gestão pública eficaz.
Seguindo nesta esteira, a Administração de Santa Rosa anuncia grandes investimentos, na ordem dos Milhões, principalmente em áreas essenciais, como postos de saúde, novas escolas, habitação e mobilidade urbana, por exemplo. Alguém poderia pensar “não faz mais que a obrigação”. Verdade. Porém, são inúmeras as administrações que não o fazem, por incompetência ou má gestão.
Gestão pública eficaz não tem a ver com agradar os servidores, mas com agradar a população, e agradar não é proporcionar mordomias ou vantagens, tem a ver com fazer aquilo que é necessário para que se goze de qualidade de vida.