Texto: Clairto Martin
Há dias tenho entre as anotações, escrever algumas linhas sobre o verão e sobre as condições de segurança nos locais públicos. Pois deixei de escrever na semana passada por entender ser prioritário abordar os dois anos do Governo Orlando. Devo registrar que não surpreende ler a notícia de que um menino de apenas quatro anos morreu em Santo Cristo, afogado na piscina. Negligência dos pais ou fatalidade, pouco importa nesta hora de choro, pois a constatação não mudará a dor da família argentina que deveria curtir um dia de sol.
Escrevo com o coração contrito, visto que sou frequentador de balneários, preferencialmente onde a água seja de rio, e tenho visitado alguns nesta temporada. E fico surpreso com a falta de segurança que há. Não adianta ter uma guarita de salva-vidas se não está lá o profissional que deveria estar de olho nas pessoas. E é um mar de gente em finais de semana, lotando piscinas e rios. É o mínimo que se deve exigir das empresas, sim empresas, porque mesmo quando o local é pequeno, mais familiar, cabe igual responsabilidade.
Mas nem é do afogamento em si que estou escrevendo, apenas. É das condições gerais de segurança, e se aplica aos clubes tradicionais também, não salvos destas tragédias, pois já as verificamos no Cisne e no Concórdia em menor ou maior intensidade em outros momentos. A fatalidade deixa de ser fatalidade quando os fatores que causam os acidentes seríam plenamente constatáveis, ou pelo menos, passíveis de inspeção regular.
Não pode haver rede elétrica à meia-boca, nem beira de piscina escorregadia, nem ponte suspensa que treme e dá a impressão de que romperá se passarem cinco pessoas ao mesmo tempo. Ou brinquedos infantis quebrados, ou escorregadores onde adultos fazem estripulias que põem risco à vida, ou cacos de vidros espalhados no chão, em meio a folhas, e outras armadilhas desta natureza.
Não sei se há órgão regional responsável por fiscalizar clubes, balneários, piscinas de acesso público, hotéis fazendas e similares. Nem sei quem deveria olhar para este cenário com mais zelo, se os Bombeiros ou alguma entidade, mas assim como há segurança no trabalho deveria haver segurança no lazer.
Escrevo isso porque verifiquei situações constrangedoras ao longo das últimas semanas, e posso afirmar que não sou um destes sujeitos maricas que treme de medo ao descer de um tobogã. Mas acho que a vida é muito preciosa para ser desperdiçada em acidentes assim, tolos, ou se não, pior, deixar alguma pessoa presa a uma cadeira de rodas para o resto da vida.