A democracia no Brasil se aprimora e se estende ao longo do tempo, mas parece que faz parte da nossa índole dependermos do Estado ou depositarmos nele todas as expectativas, inclusive as que são de competência do cidadão. E a figura do Estado que queremos abordar aqui é o Poder Público Municipal que, através de seus setores competentes, vem constantemente alertando que estamos bastantes próximos de uma epidemia de dengue.
É possível admitirmos que uma das vilas de nossa cidade possa apresentar 40% de índices de infestação do mosquito transmissor da dengue? O que esperam os moradores para agir? A intervenção da Fundação Municipal de Saúde? Um milagre? Uma ação robotizada?
A rigor, à Vigilância Sanitária deveria tocar apenas a função de cuidar dos logradouros públicos. Das nossas casas, do nosso comércio, dos nossos terrenos baldios é uma missão nossa, não do Estado, não da área pública.
É inadmissível uma cidade como Santa Rosa, que se desponta no cunho acadêmico, na liderança regional em várias áreas, constituída de gente esclarecida, permitir que uma epidemia de dengue seja um risco tão iminente. Os agentes contratados pela Fundação deveriam ser substituídos por policiais civis ou por oficiais de Justiça, com mandado de prisão, prendendo pessoas inconsequentes que têm noção do perigo que nos ronda, mas mostram-se complacentes com a própria falta de iniciativa.
Sugerimos que o cidadão consciente faça o papel de fiscal: denuncie o vizinho irresponsável. Afinal, os técnicos afirmam que num quarteirão inteiro basta que um morador deixe de fazer sua parte para que o foco do mosquito transmissor se instale.
Vamos alimentar mais esse debate no bate-papo de final de semana. Vamos levar esse tema para as rodas de amigos, para as igrejas, para as entidades de classe, enfim, no meio onde gravitamos. Estamos diante de uma situação onde o Estado só pode participar como parceiro, mas a parte principal é de nossa responsabilidade como cidadão.