O desastre indiscutivelmente causa dor e sofrimento, mas tem um aspecto que deve ser acentuado nesse quadro que todos gostariam de evitar e que acaba se impondo: a solidariedade. Os fortes ventos que varreram o centro de Santo Cristo na madrugada de segunda-feira, 30, deixaram grande parte da cidade isolada do mundo, porque os estragos tiraram do ar as duas emissoras locais e anularam os sinais de aparelhos celulares.
A Rádio Noroeste, por iniciativa própria, movida pela sua missão de veículo de comunicação social, e sem ter uma noção mais ampla dos estragos, deslocou repórteres para a cidade vizinha. O que inicialmente era para ser uma reportagem jornalística, acabou virando serviço de utilidade pública. A mobilização de populares e lideranças ganhou consistência, à medida que o prefeito Zeca Seger e os atingidos repassavam as informações.
Situações incríveis de sofrimento, medo e espanto foram narradas, sensibilizando prefeituras da região, entre elas a de Santa Rosa, que deixaram de lado suas dificuldades para responder as próprias demandas e deslocaram homens e máquinas para socorrer Santo Cristo. Populares que não tiveram suas casas atingidas, vindos de vários pontos da cidade e do interior, apresentavam-se como voluntários, numa ação que transformou desabrigados em desalojados. Mãos estendidas para quem sofreu danos, amenizaram o impacto do sofrimento.
O prefeito Zeca Seger a cada intervenção procurava agradecer a pronta intervenção da Rádio Noroeste, que alterou toda sua programação jornalística para se concentrar apenas na cobertura do vendaval que virou uma ação de auxílio. São elogios que a emissora educadamente dispensa. Afinal, rádio é um instrumento da comunidade. E esta missão torna-se ainda mais relevante diante de um quadro que acentua o sofrimento humano que grita por socorro.