A semana terminou com um bom debate instalado nos bastidores da política regional e estadual. A Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa emitiu nota à imprensa alertando às declarações “preocupantes” de Beto Albuquerque, secretário gaúcho de Infraestrutura. Dificuldades de caixa poderiam levar a suspensão de obras já sinalizadas, e estas incluíriam algumas rodovias que ligam os municípios vizinhos.
Trata-se de um projeto já defendido e iniciado na gestão do ex-governador Antônio Britto. Depois dele vieram outros três governos, 12 anos, de três partidos diferentes, sem mudar o quadro de isolamento a que são submetidas muitas cidades. A reação imediata da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa foi enviar o presidente da entidade, Nerci Ames, a Porto Alegre no evento da Famurs, do qual participaram o próprio Beto Albuquerque e o governador Tarso Genro. A precaução é porque um terço dos municípios da grande região ainda não possui ligações asfálticas concluídas, três deles com obras em andamento e três aguardando trâmites burocráticos.
Esse isolamento dificulta a escoação da economia e, de certa forma, isola as comunidades, apequenando-as. Em uma análise simples, este debate nem deveria começar, quanto mais ocorrer, visto sua importância ao Estado. Deveria ser caso consumado, consensual, independente de quem assume o Governo. Municípios como Porto Vera Cruz e Senador Salgado Filho continuam ilhados do progresso, mostrando todo o descaso de sucessivas gestões à frente do Estado, à mercê de sua própria sorte.
A região Noroeste, que é sabidamente uma das mais pobres do Estado, não pode continuar estagnada no tempo. E, ainda mais diante de um fato novo e que se vê perto de ser efetivado, a construção da barragem de Garabi. Como fazer uma obra deste porte, que deve gerar entre 10 e 15 mil empregos, sem que a região mencionada tenha sequer acesso asfáltico decente?
Em uma época em que se fala tanto em qualidade de vida, em agilidade, é imperioso que finalizar estas ligações asfálticas seja prioridade. Agora, com dois deputados estaduais e dois federais que representam os interesses da região, é se esperar que a solução não volte às gavetas e outros quatro anos sejam desperdiçados.