Na última edição do Jornal Noroeste o tema emancipações voltou à tona por conta da lei aprovada pela Assembleia Legislativa gaúcha conferindo ao Estado o poder de decidir sobre a criação de novos municípios. A reportagem também aponta as áreas emancipandas que estão no perímetro das Missões e Grande Santa Rosa, com ênfase a algumas localidades próximas, como Vila Sírio, Sete de Setembro, Consolata, Linha Silva Jardin, Vila Teresa e outras, com maior ou menor expressão.
Cabe refletir sobre este assunto, pois, novas discussões devem ser pontuadas a partir de agora. É realmente bom a uma comunidade pequena criar toda a estrutura de uma cidade? A população ganha o quê? Quem paga o custo da estrutura política e administrativa? Essas e outras questões fatalmente precisam ser levantadas.
Um estudo recente apontou que a imensa maioria das localidades emancipadas cresceu, e muito, após desvincular-se do município-sede. Há exemplos extremamente positivos, como Picada Café, entre outros. Aqui na região, Senador Salgado Filho e Ubiretama emanciparam-se há 15 anos, época em que a vila Sete de Setembro preferiu manter-se ligada a Santa Rosa. Mesmo que situações diferentes, é inegável olhar para o Distrito de Sete de Setembro e perceber que continua praticamente igual a antes, o que não quer dizer que seja ruim, pois tem acesso asfáltico, tem escola e saúde de qualidade, etc. No entanto, as duas mencionadas antes, pereciam e estavam mergulhadas no esquecimento, rumo ao fundo do poço. Ao desvincularem-se puderam fortalecer o núcleo urbano e fazer uso dos dividendos gerados em sua área territorial, o que antes não ocorria.
As duas cidades citadas estão longe de serem Cruzeiro ou Tuparendi, por exemplo, mas hoje conseguem dar condições dignas de vida aos seus habitantes, com saúde, educação e obras rurais, especialmente.
A emancipação tem um custo, sim, mas em estruturas enxutas, com políticos sérios e comprometimento da sociedade, podem apresentar resultados a contento, levando em conta a quem deve beneficiar: a população. Esse é um quadro que pode ser verificado em quatro em cada cinco comunidades.
Há, evidentemente, interesses políticos que se apresentam nestas horas. Mas, em geral, estes estão presentes também quando uma comunidade ainda é distrito ou simplesmente vila. E, sob este prisma também a população não pode ser iludida, pois o bem comum está em discussão e não um curral a este ou àquele parlamentar. E mesmo assim, há casos e casos. Há, entre as localidades citadas acima, algumas sem as mínimas condições de emancipar. São inconsistentes como comunidade, quanto mais como município. Por isso, seriedade dos governantes ao analisar os dados é o começo do bom senso. Emancipar, sim, se houver condições dignas a tal passo.