As semanas não passam em branco no trânsito. Sempre há uma ou mais mortes trágicas nas rodovias da grande Santa Rosa, sem contar amigos e conhecidos vitimados em outras regiões, como o caso de pai e filho atingidos em Santa Catarina na sexta-feira (14). É uma barbárie que comove, ao mesmo tempo que revolta.
Culpar quem por esta guerra que faz mais de 30 mil vítimas todo o ano no Brasil? Há um sem número de razões para tais tragédias, mas todas são previamente conhecidas, e no entanto, ainda assim as estatísticas repetem-se ano a ano. Feriados prolongados são a alegria das funerárias e dos repórteres apaixonados por sangue, e quase sempre um dos ingredientes é a presença de álcool.
A Lei Seca, por exemplo, quando entrou em vigor trouxe alterações comportamentais e produziu resultados animadores. E alguns meses depois, sem a devida fiscalização, poucos realmente ainda dão importância ao fato, mais ainda quando a Constituição expressa que soprar o bafômetro é opcional. Cobrar o que das Polícias se a própria lei ata-lhes as mãos?
Mas a bebida em si não faz tudo sozinho. As péssimas condições das estradas, a começar pela total falta de planejamento ao fazê-las, com curvas que são verdadeiros atentados; as crateras existentes no meio do asfalto, a inexistência de acostamento adequado (quando não são aqueles declives), e a falta de sinalização matam tanto ou mais que o álcool.
Ao álcool e às péssimas rodovias junte a pressa e tem-se uma bomba. Ninguém quer perder dois minutos, tem que exigir o máximo destas máquinas maravilhosas que atingem perto de 200Km por hora em estradas planejadas para 100Km/h. Estresse e deslumbramento, com a ajuda da "autossegurança/autocontrole" são meio caminho ao cemitério.
Outro perigo é a presença de veículos grandes, muitas vezes em comboios intransponíveis. É de perder a conta de quantos acidentes têm caminhões envolvidos. Andam rápido demais, têm cargas em excesso e trabalhadores que usam toda sorte de pílulas e estimulantes para não dormir. É a necessidade de ganhar mais, de chegar mais rápido ao destino e amanhecer na estrada.
Assim, a sociedade chora mortos todos os dias. E não há campanha de conscientização que mude o quadro. Infelizmente.