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Santa Rosa, terça-feira, 22 de maio de 2012
 
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No tempo do Fusca
/GILBERTO-KIELING/No-tempo-do-Fusca/

 

Piada bem moderninha: dizem que os japoneses e brasileiros têm em comum palavras fundamentais de suas vidas que começam como a letra “i”. 
Explicando melhor. Os japoneses têm equipamentos de uso cotidiano como “IPAD”, “IPHONE”, “IPOD”, entre outros. 
Já os brasileiros vivem às voltas com o IPTU, ITR, IPVA, IOF, e assim por diante. 
*****
O engraçado é que insistem em dizer que no Brasil não existe a incidência de um imposto sobre outro, que juridicamente chamamos de “bis in idem”, isto é, acumulação de impostos. É puro papo furado. 
Veja só. Você recebe um determinado valor ao longo do ano e paga o Imposto de Renda sobre esse valor. Ou seja, você só pode utilizar livremente o que sobrou, agora livre de impostos porque é a sua renda líquida após a incidência. 
Pois bem. Com esse restante você pagará, ao longo do ano, numerosos impostos, como o IPTU, o IPVA, o DPVAT, o IOF nas operações financeiras, sem falar nas incontáveis taxas que nos assombram diariamente. A lógica — se existisse lógica no Brasil — seria descontar também todos esses impostos da base de cálculo do Imposto de Renda, certo? Certíssimo, mas não por aqui...
*****
Você sabia que hoje, dia 20 de janeiro, é o Dia Nacional do Fusca? Eu também não sabia. Descobri folheando uma dessas agendas que estão repletas de datas comemorativas. 
Soube, por exemplo, que em Curitiba existe em Festival Nacional do Fusca, que reúne centenas de proprietários do antigo “carro do povo”. O carrinho, que foi fabricado ao longo de 75 anos, continua a ser motivo de orgulho para seus donos, pois, acredite, houve um tempo em que um Fusca era símbolo de poder aquisitivo e status. Naquele tempo, também, não havia brinquedos eletrônicos. 
O quê? Não acredita? Então você ainda é bastante jovem. 
 Pois houve um tempo em que os brinquedos não necessitavam de energia elétrica, controles, cabos ou redes sociais. É verdade! A diversão da garotada que hoje já é quarentona dispensava todo e qualquer apetrecho tecnológico. 
 Além do futebol (que podia até ser com bola de pano), tínhamos o dominó, a amarelinha, o pião, o jogo do osso (e o típico brinquedo gaúcho: a tropa de osso), a peteca, o bambolê, o bodoque e assim segue a lista. 
Mas o mais marcante, o mais lembrado, e que encantou gerações, foi o gude, com as bolinhas de vidro que rolavam pela casa (incomodando nossas mães) e em todos os pátios e em qualquer esquina. De vez em quando o cachorro engolia uma bolita e gerava pânico na família.
As bolitas argentinas, com suas linhas internas coloridas, eram verdadeiro encantamento, capaz de causar inveja e sobrevalorizar o produto. Um bolita argentina chegava a custar três vezes o valor de uma brasileira, o que mostra que nossas disputadas comerciais com os hermanos vêm de longe. 
Não estou dizendo que os brinquedos do passado eram melhores ou mais divertidos. Esse julgamento é intimo e pessoal. Na verdade, as brincadeiras eram mais simples, o mundo mais ingênuo, e a vida parecia interminável. Como um Fusca.
 


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